quinta-feira, 9 de março de 2017

Timing

sentir que perde o controle sobre as coisas simples
(o plástico fino da sacola, a exemplo
que se dobra para o outro lado em contato com a areia molhada
com a areia molhada, agora, se espalhando pelo chão
você vai ter de pegar outra pazinha que não esta da caixa da gata
e uma vassoura
o trabalho inicial resulta mais que dobrado
talvez você nem devesse ter começado
ou principalmente deixado tão pra depois
tão na pressa atrasada

você só atrapalhou o fluxo das coisas)
é das coisas mais frustrantes

o típico magista que quer ser rico
não domina o elemento Terra

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Senda

como o fio da fumaça que brota do palo santo
eu subo aos céus
primeiramente
aparentemente
uniforme (quase retilíneo)
e no bailar da curva
desgovernar
e virar fumaça emaranhada
caótica
sendo divino
por linhas tortas

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Dormir fumando

sonhar em brumas
e acordar com o peito em brasa
poderia ser pior
poderia ser Clarice
escreveria eu melhor?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Meu paper pra sarau

Gente, seguinte, eu realmente tenho dificuldade com essas interlocuções microfonadas. Pode ser que no decorrer do rolê eu possa me empolgar e assim deixar de articular, tipo shhhhuuu sshu shu shuu shu shuU, sabe? Agora acho que eu tô articulando bem, mas é que, não parece, eu pensei bem esse início. Meus poemas são muito curtos. Parece que todo mundo ao redor, aqui, louva essa coisa da poesia em seu estado vivão em fala. E mal eu ouso ler em voz alta o que acabei de escrever. Na verdade, nunca leio. É contraditório, talvez, mas é encantatório também e usualmente eu não ousaria. Só a escrita, por si só, já abre um belo dum rombo. Mas é realmente foda recusar estes convites de amigos sádicos, por mais que eu esteja aqui sempre suando em bicas e desintegrando o papel na mão. Acreditem, nesse caso, ao menos, é melhor do que ter um touchscreen, que teria acabado de cair. Enfim, meus poemas são curtos. Só que eu nunca os fiz pensando em vocalização. Porra, eu fui "vocalista" de banda desde os 15, sim, desses que não carrega nenhum instrumento e compensa rebolando no palco, só que aqui é completamente outra porra. São meus versos, de eu quietinho, lambendo ferida; coisa feita justamente pra que eu pudesse respirar um pouco do silêncio fora desse contexto em que meia dúzia de desajustados remam pra portos diferentes naquilo que já se chamou banda. Você investe a caceta dos teus anos 20 porque acredita em horizontalidade, coletividade, e dividir créditos de canções sob um nome de banda cujo único voto contra foi o meu. Foi reação Natural remediar os tímpanos surrados pelo som do riscado. Hoje estou melhor. Poderia estar melhor. Desculpem, eu estou nervoso e não foi pra isso que eu fui contratado, não é? Então é lógico que eu não vou pedir para que vocês imaginem cada poema como se tivesse sido escrito na sua frente. Seria demais. Mas não seria uma puta duma quase sinestesia?

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Anjo malvado

infâncias algumas
Kevin diria
que são como continuidades
e é daí que deixam-se os legos
em posição para matar
ou ao menos causar imensa dor
e daí

é como se os brinquedos variassem